Declaração de amor
Toda declaração de amor
é ridícula, meu bem...
Se ridícula não for,
Amor não é...
é quase cômica,
faz rir por que abandona
toda a razão de ser.
Toda declaração de amor
é rasa,
por que amor não se mede com palavras
tampouco se escreve com tinta.
Toda declaração de amor
é meio fria,
depois de serem ditas
todas as palavras perdem a vida.
Toda declaração de amor
é mentira,
por mais que tente, ela não se aproxima,
desse tal amor que quer declarar.
Toda declaração de amor
é tortura,
não existe verso nem rima,
que faça o amor confessar.
Toda declaração de amor
é agressiva,
sempre uma tentativa bandida,
sempre uma paulada na cara.
Toda declaração de amor
é como a chuva,
quando pouca, limpa, refresca,
quanto exagerada, suja, inunda.
Toda declaração de amor
é feito um porre,
começa solta e divertida,
acaba dando náusea e dor de barriga.
Toda declaração de amor
é propaganda enganosa,
não adianta tentar,
numa declaração de amor, o amor nunca vai estar.
Toda declaração de amor
é comunista,
grita e exige
que seja concordada e assinada em duas vias.
Toda declaração de amor
é como criança endiabrada,
bagunça tudo que já foi arrumado
e zomba do castigo a ser aplicado.
Não é preciso que eu me declare...
Por que qualquer declaração de amor
é menor que o meu sorriso,
não tem o mesmo princípio,
não vem do mesmo infinito.
Porque qualquer declaração de amor
não se compara ao meu abraço,
os meus braços nos seus braços enroscados,
apertados a te acarinhar.
Porque qualquer declaração de amor
não chega nem perto do meu olhar,
que quando te encontra
brilha, brilha a declarar
que além dele, melhor declaração de amor não há.
é menor que o meu sorriso,
não tem o mesmo princípio,
não vem do mesmo infinito.
Porque qualquer declaração de amor
não se compara ao meu abraço,
os meus braços nos seus braços enroscados,
apertados a te acarinhar.
Porque qualquer declaração de amor
não chega nem perto do meu olhar,
que quando te encontra
brilha, brilha a declarar
que além dele, melhor declaração de amor não há.


