Segunda-feira, Outubro 13, 2008

Declaração de amor


                                                       Toda declaração de amor
                                                                    é ridícula, meu bem...
                                                                    Se ridícula não for,
                                                                    Amor não é...

Toda declaração de amor
é quase cômica,
faz rir por que abandona
toda a razão de ser.

Toda declaração de amor
é rasa,
por que amor não se mede com palavras
tampouco se escreve com tinta.

Toda declaração de amor
é meio fria,
depois de serem ditas
todas as palavras perdem a vida.

Toda declaração de amor
é mentira,
por mais que tente, ela não se aproxima,
desse tal amor que quer declarar.

Toda declaração de amor
é tortura,
não existe verso nem rima,
que faça o amor confessar.

Toda declaração de amor
é agressiva,
sempre uma tentativa bandida,
sempre uma paulada na cara.

Toda declaração de amor
é como a chuva,
quando pouca, limpa, refresca,
quanto exagerada, suja, inunda.

Toda declaração de amor
é feito um porre,
começa solta e divertida,
acaba dando náusea e dor de barriga.

Toda declaração de amor
é propaganda enganosa,
não adianta tentar,
numa declaração de amor, o amor nunca vai estar.

Toda declaração de amor
é comunista,
grita e exige
que seja concordada e assinada em duas vias.

Toda declaração de amor
é como criança endiabrada,
bagunça tudo que já foi arrumado
e zomba do castigo a ser aplicado.

Não é preciso que eu me declare...

Por que qualquer declaração de amor
é menor que o meu sorriso,
não tem o mesmo princípio,
não vem do mesmo infinito.

Porque qualquer declaração de amor
não se compara ao meu abraço,
os meus braços nos seus braços enroscados,
apertados a te acarinhar.

Porque qualquer declaração de amor
não chega nem perto do meu olhar,
que quando te encontra
brilha, brilha a declarar
que além dele, melhor declaração de amor não há.

Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Bilhete

A palavra que não se diz,
O estilhaço que não se reconhece.
O pedaço que falta
e o que preenche.

Me despeço aos poucos
do que carrego comigo.
Em algum tempo serão pálidas,
com algum esforço: memórias;
Sempre perto o bastante pra buscar no peito
coisas que só a saudade conhece.

O cheiro, os pés e os pêlos.
O gosto. O peso.
 
intocáveis.
 

Terça-feira, Julho 17, 2007

No espelho

Te amo de maneiras ainda desconhecidas,
por caminhos que nunca andei,
por dias que ainda hão de vir.
Te amo por sonhos agora possíveis,
por um futuro interminável,
por uma vontade constante,
por um desejo incansável.
Te amo calma e confiante,
entregue e resoluta,
certa e segura.
Te amo pelas memórias que construímos juntos,
por cada minuto desde aquele primeiro oi engasgado,
pelo sorriso de bom dia e
o encaixe nos seus braços a noite.
Te amo por tudo que você foi,
é e ainda vai ser,
pelo que já aconteceu e
o que ainda está por vir.
Te amo por todo amor do mundo
e mesmo assim,
te amo mais,
sem falta de espaço sem tamanho,
sem medida.

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Amor de Repente

Ele chegou assim meio de repente, meio prepotente, com o esse seu jeito de maior carente, me pegou pela cintura, me chamou de sua, me fez mulher. Me propôs uma vida de realeza, dura, mas com firmeza. Me mostrou que a vida é cheia de graça, que teus braços são a minha casa e do seu lado era o meu lugar. Colocou no meu rosto a felicidade, no meu peito uma só verdade e no meu corpo uma só vontade. Sonhou comigo os meus sonhos, planejou também meus planos e se desfez dos meus enganos. Ele que me olha desse jeito, como quem quer me desvendar por inteiro, já mudou minha vida, me faz feliz todo dia e com um sorriso me contraria. Não me julga, me apoia, me tira o medo e me acolhe. Chora comigo, ri do meu riso, me faz querer ser melhor cada dia, entende as minhas cismas, cede às minhas manias. Ele que me ilumina, que me pega pela mão e me guia por esse nosso mundo particular. Ele que é o meu eleito e mesmo longe de ser perfeito, me ensina desse jeito o que é amar.

Domingo, Abril 08, 2007

Poema de Amor

Não sejamos comuns.
Sejamos únicos e plurais. Polissêmicos, ingênuos e obscenos.
Sejamos grandes, meu amor, e pequenos e dois e sempre mais.
Sejamos nós dois, ímpares e iguais.
Sejamos homem e mulher, às vezes animais.
Por que não?
Deixemos o resto ser nada.
Sejamos sempre claros e leais. Sábios e infantis.
Sejamos fortes, meu bem e sejamos racionais.
Sejamos fieis e sejamos 3, 4 ou 6, quanto essa soma der.
Sejamos coloridos e divertidos, livres, iludidos e decididos.
Sejamos calmos, contentes e desvairados. Ricos, pobres, nobres e desalmados.
Sejamos criadores, conservadores e desbravadores.
Sejamos cada dia de carnaval e de trabalho.
Sejamos os minutos tristes e dias ensolarados.
Sejamos rabugentos, mimados e malcriados. Marrentos e despreocupados.
Sejamos responsáveis e tolerantes.
Sejamos o equilíbrio, o vício e o início.
Sejamos os contrários. Tudo e cada coisa.
Sejamos as vontades e vaidades
Sejamos os obstáculos e dificuldades.
Sejamos a vitória e a comemoração.
Sejamos o destino e o caminho e também a queda, o choro e a meta.
E sejamos o sonho e a obra. A forma e a sobra.
E sejamos a realização e a inspiração.
Sejamos a tradução e o verbo, o original e o ilegal.
Sejamos o ódio, prazer e a dor.
Sejamos a harmonia, a alegria.
Sejamos o amor, a paixão e a comunhão.
Sejamos diferentes e insolentes.
Sejamos as normas e ordens.
Sejamos corretos e imorais.
Sejamos cotidianos e surpresos.
Sejamos meu amor,
Sejamos tudo isso
E o que tivermos de ser.
Sejamos uma vida inteira juntos.
Sejamos sempre eu e você
E assim seremos livres.

Terça-feira, Janeiro 23, 2007

ameoPoema

Quando o poema chega,
Ele não respeita ninguém,
Toma seu espaço à força do acaso
E proclama sua independência verbal.

Quando o poema chega,
Ele estilhaça todas as formas
Para ser o grito de milhares de eu-mundo
Dentro de mim.

Quando o poema chega,
Ele suspende o tempo e prende o ar
Tudo que existe dentro-circula fora
Em torno dele e não sendo mais meu
Se torna tão meu quando todo mundo que chega,
Quando o poema chega

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

BOMBA

Lá fora chora a míngua se desfazendo em versos e rimas o céu que desaba sobre conjunturas e palavras-frases catastróficas e ao avesso pela janela escorrendo em gotas multicoloridas a cidade cheira a polissemia e o vento carrega todo minuto que passa desapercebido dentro desse tic-tac-plim como uma noite relógio...