quarta-feira, junho 22, 2011

Sem inseticidas, adubo e coisa e tal

Pretendo
preencher o vazio
com Girassóis.
Margaridas
e Rosas.
Fazer da falta
um jardim
de paisagem melancólica,
onde a ausência
se chame crisântemo,
a tristeza seja ânimo
e o tédio,
Palmeira imperial.

No meu canteiro de gardênias,
esperarei como toda fêmea
que a pressa das pétalas
em euforia desabrochem,
depois de secas, chorem
e a pele em flor,
Seja mais que um buquê de cor.

sábado, junho 18, 2011

PULSO (inevitavelmente o que ainda não se foi)

Muita coisa que eu não gosto,
muita coisa que eu desprezo,
tudo que me cauda tédio
e o olhar que me faz rir.

O que eu não deveria ver,
formas que não deveria conhecer,
palavras que cortam como faca
e a ausência daquilo que faz sangrar.

Toques insuportáveis,
Respiração raza, ofegante.
Terrorismo de querer gritar.
Oprime aos poucos, desgasta sem polir.

Tudo se torna opaco, fraco, embotado.
E o prazer da dor,
chega manso pelos cantos,
pra punir o que o medo não levou.

quarta-feira, junho 15, 2011

ameoPoema

Quando o poema chega,
Ele não respeita ninguém,
Toma seu espaço à força do acaso
E proclama sua independência verbal.

Quando o poema chega,
Ele estilhaça todas as formas
Para ser o grito de milhares de eu-mundo
Dentro de mim.

Quando o poema chega,
Ele suspende o tempo e prende o ar
Tudo que existe dentro-circula fora
Em torno dele e não sendo mais meu
Se torna tão meu quando todo mundo que chega,
Quando o poema chega.

terça-feira, junho 14, 2011

Cartão postal


Te imaginar na ausência
É querer colocar nome em vento,
brisa mansa e morna,
leve...
Repouso meus suspiros nas tuas mãos de ar.
Acaricia meu rosto
e brinca com meus cabelos.
Te trago pra dentro de mim...
E aqui vive como combustível e movimento.
Imagem de um campo vasto,
sua memória é um fim de tarde clara,
num rio que deságua na noite serena.